Morar Fora ** Confissões De Uma Mente Estrangeira **

Booking.com

Estamos perto de completar dois anos que transformamos o sonho de morar fora em realidade e isso tem me deixado bastante pensativa.

Nunca fui muito apegada à família, nunca deixei de trabalhar duro e especialmente, nunca deixei de sonhar e de me aventurar em busca de um futuro melhor.

Minha mãe diz que puxei a frieza do meu pai em relação à família.

Em contra-partida, muitas pessoas admiram minha coragem em abrir mão de tudo para começar do zero.

Mas preciso confessar… na prática, não é tão simples e fácil quanto fazemos parecer!

Talvez seja corajosa sim, mas aquela frieza toda, já acabou faz tempo  😆 .

Sendo muito sincera, morar fora, deixar para trás as pessoas que te amam incondicionalmente, abandonar o conforto de falar sua língua materna, trocar a vida de nativo pela de estrangeiro, mexe com você.

O que conforta e dá forças é saber que existe um propósito, uma recompensa.

Isso faz toda a caminhada sobre espinhos valer a pena.

Tento ser bem realista aqui no blog ao falar sobre morar fora.

Afinal, já tem gente demais por aí mostrando uma experiência padrão Disney que não passa de fantasia  🙄 .

Hoje resolvi aprofundar um pouco mais, contar sobre as principais dificuldades que passei nesse período, para te fazer pensar sobre alguns pontos que pesam bastante.

Penso que antes de partir para essa mudança tão radical, é bom saber o que te espera.

Apensar de nunca ter morado em outro país ou mesmo em outro estado dos EUA, acredito que algumas coisas são inerentes ao simples fato de morar fora, independente de onde.

Sendo assim, esse post servirá para qualquer pessoa que queira morar em outro país.

Recomendo que leia esse post até o final e de cabeça aberta!

Não quero que desista do seu sonho, só quero fazer minha parte de conscientizá-lo sobre algumas coisas que ninguém te conta.

Confissões de uma mente estrangeira: falando sobre morar fora

morar fora - confissões de uma estrangeira

1 – Estrangeiro

Existe uma grande diferença entre ser estrangeiro turista e estrangeiro residente.

Isso é bem fácil de entender, quer ver?

Quem você trata melhor: seu irmão que mora com você ou a visita que vai na sua casa duas vezes ao ano?

Tenho certeza que você trata melhor a visita! hahaha

Acredite, o mesmo acontece ao estrangeiro.

Se turista, é tratado como visita, se residente, é tratado igual irmão (não no sentido bom hahaha).

Sendo brasileira e morando em Los Angeles, que é uma cidade basicamente feita de imigrantes, não posso dizer que vejo muito preconceito por aqui, pois estaria mentindo.

Contudo, também mentiria se dissesse que não existe uma barreira invisível que divide os moradores em três principais grupos: nativos, residentes legais e residentes ilegais (os fora de status fazem parte do último).

Existem limites e restrições que são aplicados em proporções diferentes à cada grupo e existem posições de trabalho por exemplo, que dificilmente um estrangeiro alcançará.

Não sei como explicar exatamente, mas é um sentimento de que você nunca será bom o suficiente que vem como um murro no estômago uma hora ou outra.

Se é residente legal, se tem todos os papéis, podemos dizer que esse “murro” é um pouco mais leve.

Mas não acredito que seja possível um estrangeiro, ainda que legal, ser tratado 100% como nativo, salvo mínimas exceções, em que a pessoa é muito rica, celebridade, ou tem um Q.I. acima da média.

2 – Família

Foi uma grande surpresa para mim encontrar uma comunidade de brasileiros tão grande e ativa em Los Angeles.

Apensar de ouvir da maioria das pessoas que “brasileiro nos EUA não prestam“, presenciei uma realidade bem diferente.

Não estou negando que tem a galerinha do mal por aí, mas existe muita gente boa também.

Gente que está sempre disposta à ajudar.

Facilmente o sentimento de amizade é promovido ao nível de família.

Afinal, por mais que nossa família queira nos ajudar e estar presente em momentos difíceis, eles estão muito longe e os amigos que fazemos aqui, muitas vezes é tudo que temos.

Acontece que por mais amigos que façamos, não tem como substituir aquele amor incondicional que nossos pais e parentes mais próximos sentem por nós.

E falando a verdade, tem coisas que somente sua mãe, sua avó ou um parente muito próximo, faz por você.

Por mais difíceis que essas pessoas sejam, fato é que a falta delas no dia-a-dia, pode doer um bom bocado.

É depois que passa o período de euforia que vivemos nos primeiros meses após a mudança, que conseguimos sentir na pele a falta que essas pessoas fazem.

3 – Saúde

Provavelmente você já ouviu dizer que saúde nos EUA é uma das coisas mais caras que existe aqui, né?!

Porém, considerando que em casos de emergência eles atendem qualquer pessoa, nem acho que o preço seja a pior parte.

Claro, depois a conta chega, e não é pouca coisa… mas é negociável.

As duas questões mais complicadas que vejo no item “saúde” são:

  • Falta de suporte

Aqui não existe atestado médico ou INSS.

Se trabalhar, recebe, se não trabalhar, não recebe, simples assim.

Agora imagine, se você vive de salário em salário como a maioria da população, você meio que não pode ficar doente, porque ficaria doente e com fome ao mesmo tempo.

ESTÁ GOSTANDO DO POST?! ENTÃO DEIXE SEU NOME E EMAIL PARA RECEBER AS NOVIDADES DO BLOG!

Exageros à parte, sim, isso é a triste verdade de uma pessoa que fica um mês sem poder trabalhar e não tem nenhuma reserva…

=> LEIA TAMBÉM: 7 Coisas que você precisa saber sobre Trabalhar Nos EUA!

  • Falta do apoio da família

Como disse antes, existem coisas que somente membros da nossa família fazem por nós.

Exemplo claro disso é quando a questão é saúde ou no caso, a falta dela.

Meu marido ficou parado por alguns dias com pedras nos rins.

Ele chegou a ficar dois dias no hospital. A dor era tão forte que morfina não funcionava.

Quando recebeu alta, teve que ir trabalhar dentro do carro comigo, pois temíamos que ele tivesse uma crise em casa e não tivesse ninguém para socorrê-lo.

Pensa bem…

Ele com dor (controlada nesse momento) não pôde ficar em casa porque a única pessoa que podia socorrê-lo era eu, e eu não podia ficar em casa com ele porque não dava para bancar os dois sem trabalhar.

Nesse momento, é claro que o pensamento de desistir vem a tona.

Não tem como não pensar “ah se eu não estivesse tão longe da minha família…”

Tudo que posso dizer é que: “é muito difícil!

Acho que já falei isso em outro post, mas vou repetir por via das dúvidas:

“Se você está pensando em morar fora, comece desde já à cuidar da saúde.”

Procure fazer um check-up antes da mudança e se necessário algum tratamento, faça-o antes de sair do Brasil.

A não ser que tenha certeza que o lugar para onde vai te dará suporte em caso de doença, acho muito arriscado sair do país com pendências na saúde.

4 – Língua

Uma coisa precisa ser esclarecida, a fluência demora a acontecer.

Existe um abismo imenso entre conseguir falar/entender e ter fluência.

Nos primeiros meses e eu me atrevo a dizer até nos primeiros anos, ainda que com certa dificuldade, conseguimos estabelecer uma comunicação aceitável.

Vamos melhorando sim, isso é incontestável mas, em alguns momentos, aquele inglês básico, intermediário que seja, não basta.

Dá uma frustração tão grande querer se expressar e não conseguir, que você não tem ideia.

Parece bobagem, mas acredite, não é!

Dói muito quando você precisa se explicar por algum motivo e não tem as palavras ou mesmo a entonação certa para se expressar.

Já aconteceu comigo por exemplo, de usar uma frase com uma tradução perfeita e ficar em maus lençóis.

Eu estava sendo solidária à pessoa, porém da forma que eu disse soou como se eu fosse uma babaca  😯 .

Até conseguir se explicar…

5 – Trabalho

Mesmo sendo residente legal no país, alcançar níveis elevados em empresas maiores é bastante complicado.

A primeira barreira obviamente é a língua. Neste caso a fluência é indispensável.

A segunda barreira seria a escolaridade.

Não diria que nosso diploma brasileiro não vale nada, mas posso garantir que na grande maioria dos casos, ele não é suficiente.

A terceira barreira e vou ficando por aqui antes que você diga que só quero “jogar água fria” é a falta de experiência.

Dá sim para passar por todos esses níveis, a questão é que muitos de nós já passou por isso no Brasil e não tem idade ou não está a fim de começar tudo do zero.

Ou então são ilegais e basicamente nem tem essas mesmas oportunidades.

Resumindo, se a pessoa não tem documentos ou tem mas não quer passar por todos os degraus para consetruir uma carreira, ela tem duas opções:

1 –  Trabalha no subemprego

O que não é necessariamente ruim, porém não tem muita perspectiva de crescimento.

2 – Trabalha por conta própria

É uma ótima opção, porém, provavelmente de um inglês melhorzinho, além do investimento inicial.

Esclarecimento!!!!

Milhões e talvez bilhões de pessoas moram fora do seu país de origem.

Não estou falando que morar fora é impossível, só estou dizendo que é difícil e que muitas vezes irá doer.

Mais uma vez repito:

“A ideia aqui não foi desanimar ninguém, mas sim, preparar aos interessados, para que partam conscientes do que lhes espera.”

Acho que se morar fora é seu sonho, você deve ir atrás.

Somente com suas próprias experiências será possível dizer se ser estrangeiro é ou não para você.

Espero de coração que tenha sorte nessa jornada e que esse post tenha sido útil para você em algum sentido.

Se gostou, please, deixa um comentário!!!

Esse post pode ser útil para mais alguém, seja legal e compartilhe!Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

6 comments

  1. Amei seu Post. As vezes só pensamos no glamour que é morar fora… nos esquecemos o quão dura é a realidade e se preparar para ela é fundamental ou melhor nem sair do seu país. Aceitar as condições que estão por vir com resiliência e sabedoria… e jamais perder a fé em Deus que tudo sabe e tudo pode, claro, fazendo sua parte!

  2. Você e seu marido tem qual visto? Quero muito ir com o meu marido e levar meus 2 filhos. Quero ir como turista e depois mudar o status para estudante.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *